Tratamentos

A terceiro ventriculostomia endoscópica TVE

A hidrocefalia (cabeça d’agua) é conhecida desde a Grécia antiga e já mencionada por Hipócrates. E’ o aumento da água na cabeça ocasionada por um distúrbio na hidrodinâmica do líquido céfalo raquidiano (LCR). Na forma hipertensiva a pressão aumentada do LCR comprime o tecido cerebral causando a morte de neurônios e leva a graves consequências para o portador, como aumento do tamanho da cabeça, dificuldades motoras, retardo mental e até a óbito. Apenas em 1949 surgiu um tratamento definitivo para a hidrocefalia – a derivação ventrículo peritoneal – a válvula. Este aparelho é um tubo de silicone munido de válvula que drena o LCR dos ventrículos até a cavidade abdominal ou o coração – uma derivação externa do LCR.

Embora já se conhecia a formação, circulação e absorção do LCR desde 1918 , apenas na década de 60 com a invenção da televisão e da fibra óptica pode desenvolver aparelhos que pudessem tratar a hidrocefalia de uma maneira minimamente invasiva alternativa à válvula - a TVE (Terceiro ventriculostomia endoscópica). Este procedimento simples e curativo consiste em criar um desvio interno para o LCR, retornando-o ao seu curso natural sem a necessidade da inserção de um corpo estranho no organismo. Uma aparelho de video-endoscopia é introduzido na cavidade ventricular (figura 1). A imagem do ventrículo dilatado é vista na televisão. Sob visão indireta no monitor realiza-se um pertuito no assoalho do terceiro ventrículo comunicando assim o LCR sesquestrado com o LCR corrente da cisterna da base (figura 2-vídeo).

A TVE, no entanto, é melhor indicada para o tratamento da hidrocefalia obstrutiva de adultos e crianças acima de 1 ano de idade. Para estes pacientes obtem-se a cura da doença em cerca de 85% dos casos.



Terceiro ventriculostomia endoscópica

FHR, masc, 4 anos. Em Agosto/1996 apresentou-se à consulta com história de que há 2 meses vinha sofrendo de cefaléia de intensidade progressiva, vômitos e prostação. Ao exame a criança apresentava prostada, com papiledema bilateral e ataxia de marcha. A TC (figura 3) mostrou hidrocefalia supratentorial com franco sinais de hipertensão intracraniana. No dia seguinte à consulta foi submetida a TVE, sem complicações, recebendo alta 24 horas após a intervenção.

O exame do LCR ventricular foi normal. A criança teve alí’vio imediato e permanente dos sintomas. TC de controle 2 meses após intervenção (figura 4) mostra regressão total dos sinais tomográficos de hipertensão intracraniana e redução do tamanho dos ventrículos. Em retorno 3 anos após o procedimento a criança acha-se normal apresentando bom rendimento escolar.



Terceiro ventriculostomia endoscópica
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