Perguntas e respostas frequentes
O neurocirurgião investiga e trata sintomas (dor por exemplo) e doenças do sistema nervoso central, periférico, das artérias pré-cerebrais, do crânio e da coluna que são factíveis de controle ou mesmo cura por intervenção cirúrgica ou procedimentos invasivos percutâneos. Estas doenças incluem traumatismos crânio-encefálicos e da coluna (fraturas, contusões e hematomas, etc.), malformações congênitas, hidrocefalia, derrames cerebrais, aneurismas cerebrais, estenose das carótidas e vertebrais, tumores, abcessos, hérnias de disco, traumatismos dos nervos periféricos e síndromes compressivas como síndrome do tunel do carpo, casos específicos de epilepsia refratária e de distúrbios dos movimentos.
Para executar bem seu trabalho o neurocirurgião necessita, naturalmente, a cooperação e associação de profissionais de inúmeras áreas afins como o próprio neurologista, o neurorradiologista, anestesiologista, o intensivista, fisioterapeuta, clínicas de dor, etc.
Não. A cefaléia crônica é conceituada como a dor de cabeça que dure vários anos e de carater intermitente, enquanto a cefaléia da ruptura do aneurisma é uma só, inconfundível, de fortíssima intensidade, associada a rigidez do pescoço e muitas vezes a convulsões, sonolência, coma, e até óbito imediato.
O portador de cefaléia crônica deve preocupar-se quando a dor muda de tipo, ou quando a ela se associa outros sintomas. Por exemplo, a cefaléia que costumava ser frontal, manhosa, aparece com muita intensidade e nucal, ou mais intensa e associada a vômitos, a diminuição da acuidade visual, desequilíbrio, etc, e noturna. Certamente não é a mesma cefaléia crônica de sempre e tem a possibilidade de ser a manifestação de um aneurisma, tumor ou outra doença intracraniana.
Menos de 10% de todos pacientes portadores de epilepsia têm indicação para tratamento cirúrgico das mesmas. De uma forma simplificada, podem ser dividos em dois grupos: a) pacientes cuja crise epiléptica é causada por tumor cerebral, abcesso, mal formação estrutural ou artério-venosa, algumas formas de neurocisticercose, etc. b) pacientes portadores de epilepsia de difícil controle, aqueles cujas possibilidades de tratamento medicamentoso se esgotaram.
Pacientes desse último grupo devem ser estudados em centros especilizados para que se investigue causas sutis de epilepsia e se faça uma indicação precisa da cirurgia e da técnica a ser utilisada. Os pacientes, mesmo que não tenham controle total das crises com a cirurgia, têm grande melhora na qualidade de vida.
Depende. Coma é uma palavra originada do grego que significa sono. Quanto ao mecanismo causal, o coma pode ser divido em 3 tipos: a) o coma de origem estrutural (trauma do encéfalo, tumores); b) coma de origem metabólica (diabético, pós parada cardíaca, alccólico, por outras drogas) e c) coma psicogênico.
Nos dois primeiros a pessoa não estabelece contacto com o meio e não sabe o que passa em sua volta; já no coma psicogênico a pessoa não estabelece contacto mas percebe e sabe o que passa ao seu redor.
Não. Atualmente há dois tipos de tratamento do aneurisma cerebral: a cirurgia aberta e o procedimento endovascular (embolização). A experiência ainda não determinou qual é o mais eficaz. Está bem estabelecido que os aneurismas cujo tratamento cirúrgcico apresenta bons resultados, o tratamento endovascular também o apresenta. Os aneurismas do sistema vértebro-basilar (na região posterior da cabeça), de uma maneira geral, apresentam melhores resultados quando tratados por via endovascular.
A hérnia de disco lombar, na imensa maioria das vezes, é uma das consequências da doença degenerativa da coluna. Raramente é causada por traumatismo. O sintoma característico é a lombociatalgia, comumente chamada de ciática. É uma dor tipo aguda, intensa que se inicia na região lombar, irradia para a nádega, parte posterior da coxa, perna e pé. Piora com tosse e espirro. Pode estar associada a sensação de dormência no pé ou artelhos e dificuldade para caminhar na ponta dos pés ou calcanhar.
A palavra hidrocefalia significa cabeça d’água. A hidrocefalia (hipertensiva) é o aumento do volume do líquor dentro das cavidades ventriculares produzindo um aumento da pressão dentro da cabeça. O líquor é produzido e circula dentro dos ventrículos, sai destas cavidades, banha todo o encéfalo, circula em volta da medula até a região lombar (onde pode ser colhido para diagnosticar meningite ou hemorragia) e cai na corrente sanguínea - no seio venoso - na “moleira” (ver figura).
A hidrocefalia é produzida por uma doença que interrompa a circulação do líquor: estenose congênita do aqueduto de Sílvio, tumores intraventriculares, tumores do cerebelo, meningite crônica como tuberculosa ou por neurocisticercose, etc. No récem-nascido e na criança o sintoma principal da hidrocefalia é o crescimento, acima dos índices normais, do tamanho da cabeça; no adulto são a dor de cabeça, vômitos e diminuição da acuidade visual e no idoso um quadro de demência associado a dificuldade de marcha e incontinência urinária.
Atraso na instituição do tratamento pode levar a cabeça da criança a alcançar grande volume e a grave retardo mental, o adulto à perda da visão e o idoso à incapacitação para exercer as mínimas atividades da vida diária.
A hidrocefalia produzida por um tumor pode ser curada ao removê-lo. Atualmente há duas outras formas de tratamento da hidrocefalia: a TVE ( terceiroventrículostomia endoscópica) e a DVP (derivação ventrículo-peritoneal). A TVE, forma de tratamento que introduzimos pioneiramente em nosso país, consiste na criação por procedimento endoscópico cerebral de um atalho para a circulação do líquor. Apresenta os melhores resultados quando a causa é tumoral ou estenose de aqueduto e o portador da hidrocefalia possui mais de dois anos de idade.
É um procedimento curativo em 80% destes casos, propiciando ao paciente uma vida normal e até se esquecendo que fora protador de hidrocefalia. A DVP (ver figura) consiste na colocação subcutânea de um tubo de silicone com vávula que drena o líquor da cavidade ventricular até a cavidade abdominal. É indicada em crianças muito pequenas e nos casos onde a hidrocefalia é causada por doenças infeciosas ou inflamatórias do sistema neural. O portador de DVP pode ter uma vida normal em todos os aspectos mas está sempre sujeito a novas cirurgias para corrigir obstrução ou/e mau funcionamento do sistema, uma vez que uma prótese artificial, como outras próteses usadas em outras partes do corpo, não substitue com perfeição o órgão natural sadio.
“Coágulo no cérebro” significa que a pessoa foi acometida de uma hemorragia no interior da massa encefálica. Isto pode acontecer espontaneamente, como no caso de um “derrame” causado por hipertensão arterial, por rutura de aneurisma cerebral, ou em decorrência de traumatismo. É sempre uma condição grave de início ou potencialmente grave.
O tratamento desta doença depende de vários fatores: o tamanho do hematoma, sua localização, condições clínicas do paciente e condições neurológicas na admissão ao hospital. Em linhas gerais, hematomas pequenos que não comprimam estruturas encefálicas vitais, que não desviem a linha média do cérebro, em paciente acordado e em boas condições clínicas podem ser observados e tratados clinicamente. Cada caso deve ser analisado individualmente, e, algumas vezes se faz necessário investigação invasiva, com angiografia digital cerebral, para elucidar a causa do hematoma.
Há vários tipos de fratura craniana com afundamento. Primeiramente, é importante considerar se a fratura é componente de uma ferida aberta ou fechada; depois analisar se há lesão da dura mater e/ou cerebral subjacentes. A localização do afundamento e o grau de desnível são outros fatores.
A cirurgia é notadamente arriscada quando o afundamento ocorre em cima do seio venoso; a correção pode ocasionar sangramento abundanate. Na maioria das vezes, o simples levantamento e realinhamento dos fragmentos produzem uma consolidação óssea adequada e o crânio readiquire conformação esteticamente aceitável. Fraturas cominutivas grandes (com muitos fragmentos) podem não oferecer condições para correção em um só tempo e venham requerer nova cirurgia, com reconstituição do crânio por material de prótese, em segundo tempo.
Sim. Muitos tumores cerebrais, ou melhor intracranianos, podem ser curados por tratamento cirúrgico unicamente. O melhor exemplo são os tumores das meninges – meningeomas. A maioria dos tumores que podem ser curados com cirurgia são do tipo benigno - menigeomas, neurilemomas, astrocitomas císticos, etc. - estão localizados em área não nobre e são susceptíveis de remoção total.
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